Educação sexual em unidade da Fundase/RN ganha destaque em evento nacional

Professora no Case Pitimbu, Laryssa Costa apresenta trabalho no Simpósio Nacional de Socioeducação.
Uma experiência pedagógica desenvolvida no Case Pitimbu, unidade socioeducativa de internação masculina da Fundase/RN localizada em Parnamirim, será apresentada no Simpósio Nacional de Socioeducação. O evento será realizado de 24 a 27 de fevereiro de 2026, na Universidade Federal do Maranhão, em São Luís (MA). As aulas de educação sexual, voltadas a adolescentes que cumprem medida socioeducativa, buscam promover informação qualificada e o enfrentamento de tabus relacionados à sexualidade.
As atividades foram conduzidas pela professora de Ciências da Natureza Laryssa Costa Lopes, vinculada à Subcoordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Sueja) da Secretaria de Estado da Educação, da Cultura, do Esporte e do Lazer (Seec/RN). A iniciativa integra a pesquisa de doutorado da educadora, intitulada “O ensino da sexualidade: desafios e possibilidades no contexto da socioeducação”, no Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O trabalho tem coautoria da pesquisadora Miceia de Paula Rodrigues e da orientadora, Magnolia Fernandes Florêncio de Araújo.
As aulas foram desenvolvidas em outubro de 2025 com jovens de 16 a 18 anos matriculados na escola da unidade. Os conteúdos abordaram o sistema reprodutor humano, dúvidas comuns sobre sexualidade, mitos ainda presentes entre os adolescentes e lacunas de aprendizagem acumuladas ao longo da trajetória escolar. A proposta utilizou metodologia participativa, priorizando o acolhimento e o acesso à informação científica de forma acessível e adequada ao contexto.
A professora observou que temas inicialmente tratados com timidez e desconforto se tornaram oportunidades de diálogo aberto em um ambiente seguro. Questões relacionadas a masculinidade, saúde, compreensão do próprio corpo e percepções sobre identidade surgiram espontaneamente.
“Houve momentos muito espontâneos, como quando todos ficaram curiosos para localizar a próstata nas imagens e, a partir dali, o assunto tomou um rumo totalmente inesperado, com debates acalorados sobre masculinidade, saúde e o famoso ‘exame de toque’. Foi surpreendente ver como um tema cercado de tabus despertou interesse tão genuíno”, destacou Laryssa Costa.
Outra curiosidade, contada pela professora, foi o fato de todos escolherem desenhar o sistema reprodutor feminino, alegando que era “mais fácil”: “A verdade, dita por um deles com uma sinceridade quase divertida, era outra: ninguém queria desenhar o sistema masculino por receio do julgamento dos colegas. Essa fala, aparentemente simples, escancarou questões profundas sobre identidade, corpo, inseguranças e as regras silenciosas da masculinidade dentro do socioeducativo”.
Aulas em unidades socioeducativas precisam se adaptar às regras e limites da unidade, conciliando segurança, tempo e imprevistos do cotidiano. Mas o que Laryssa destaca como desafio central “é conquistar confiança e criar um espaço seguro onde os participantes se sintam à vontade para aprender e falar sobre o corpo”.
Laryssa conta que ensinar esse tema a adolescentes, sobretudo na socioeducação, vai além do conteúdo: exige lidar com vergonha, crenças distorcidas e com a falta de diálogo que muitos trazem da vida familiar.
“Apesar das lacunas conceituais, todos demonstravam vontade de aprender e mais do que isso, de entender seu próprio corpo de forma respeitosa e acolhedora. O que começou com risadas terminou com perguntas sérias, curiosidade genuína e um interesse que certamente não se expressaria da mesma forma em ambientes mais formais”, concluiu a professora-pesquisadora.
Assessoria de Comunicação – Fundase/RN
(84) 98729-2556 / 99916-1236
www.fundase.rn.gov.br
No Instagram: @RNfundase